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quarta-feira, 28 de maio de 2014

A beira

deitado rente ao nada
equilibrando-se no vento
calado como quem uiva
temia a sordidez

comia a maciez das nuvens
e lembrava-se do futuro
que passou
abandonou as vestes

e selou a morbidez do mundo.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Tiras de couro

Por que será que não morre?!
Some, desaparece no oco do mundo.
Perpetua as lembranças nas flores.
Aquelas que entraram terra adentro.

Por onde vais que não evapora?!
Derrete, decanta a alma,
deixando apenas os botões?
Vira dejeto nas patas de qualquer transeunte.

O mundo leve de não estar em ti, flutuaria.
E os batalhões de moscas celebrariam.
Um anoitecer claro e radiante, brado sol.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Uma pitada de sol

Te espero na tarde azul
E meus ouvidos preparados ficam
Teus olhos apressados chegam antes de ti
Preciso aprender a estar
Aqui e lá
Verso solto
Que percorre cego tuas rimas.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Crônica das cores vivas

Como eu precisava tanto deste banho?
Desde ontem a água não corre em mim.
Trilhando veredas e as enxaguando, terra ávida.

Lá fora lobos uivam à luz amarela, desértica.
E pessoas desmoronam como servos, selva cinzenta.
Calo-me e deixo à tarde azul de outono, riscar a vida.



domingo, 9 de março de 2014

Uma gota de caos

Na noite caída entre folhas de papel
Romanticamente empoeirado...o caos!
Na rua de ilusões vis e clarões de desejos
Milimetricamente encoleirando pássaros

Mastigam as horas feito pétalas azuis
Na boca do dia nascem os sóis
Já a lua está tão pobre que nem se nota
Há uma estrela entre o olho e céu

Desordeiradamente  fácil é de ca(n)tar
A relva grudada no asfalto molhado
De lágrimas, de suor de fluido de isquiro
Nas madrugadas poetas vivem, vivem!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Uma Viagem Solar

Um Céu sólido, ameaça cair
O chão já rachou e teme a morte
As carcaças dos querubins apodreceram
Moscas metafísicas sacodem o ar

A vida passa dentro do bucho d'um cachorro
Serpenteia as memórias de dejetos cósmicos
As nuvens desse verão são de chumbo e salitre
E chove catástrofes pré-anunciadas

Ajusto o capacete solar e praguejo lírios
Meto as botas em pés bichados e corro ao poente
Minha nave explodiu e fujo das sombras
Dragões alimentam fetos enfurecidos

O Gigante abre o aquário seco e decide,
o destino dos abutres que nutre de sonhos.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Poema/Corpo

O corpo é o habitat da poesia
E só através dele posso te cantar
Te contar, seduzir e embalar

Te entrego meus pelos/versos
Derramo minhas lágrimas/líricas
Oferto meus suores/sabores

O poema vive na carne, na pele...
Mora em ti minha inspiração cotidiana
Morre em mim células de rimas

Passo minha saliva/mel polissilábico
Percorro em ti com meus dedos/pena
Escrevo meu corpo em tuas páginas

Vivo pra perpetuar sorrisos/pautas.