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terça-feira, 29 de julho de 2014

Alienígena

Se estar aqui, é lá no fundo o outro lado
O de lá, do lado de cá é agora, ali
Estando sempre avesso, há verso
Travesso, subo e desço. Galgando estrelas
Querência de labirintos líricos e ventas de dragão
Chamas em mares de outrora e após calipso

Negro como o leite que sai das profundezas da terra. 

terça-feira, 1 de julho de 2014

Uma pequena saída

Sem você aqui
entorto as linhas
escrevo certo
sou Deus
meus poderes
não te trazem aqui
mas por alguns segundos
sinto seu perfume

Sem você aqui
concerto ilhas
aterro mares
sou teu Deus
sem poderes
mas te trago
comigo
e solto, souto
sagrado querer.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A beira

deitado rente ao nada
equilibrando-se no vento
calado como quem uiva
temia a sordidez

comia a maciez das nuvens
e lembrava-se do futuro
que passou
abandonou as vestes

e selou a morbidez do mundo.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Tiras de couro

Por que será que não morre?!
Some, desaparece no oco do mundo.
Perpetua as lembranças nas flores.
Aquelas que entraram terra adentro.

Por onde vais que não evapora?!
Derrete, decanta a alma,
deixando apenas os botões?
Vira dejeto nas patas de qualquer transeunte.

O mundo leve de não estar em ti, flutuaria.
E os batalhões de moscas celebrariam.
Um anoitecer claro e radiante, brado sol.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Uma pitada de sol

Te espero na tarde azul
E meus ouvidos preparados ficam
Teus olhos apressados chegam antes de ti
Preciso aprender a estar
Aqui e lá
Verso solto
Que percorre cego tuas rimas.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Crônica das cores vivas

Como eu precisava tanto deste banho?
Desde ontem a água não corre em mim.
Trilhando veredas e as enxaguando, terra ávida.

Lá fora lobos uivam à luz amarela, desértica.
E pessoas desmoronam como servos, selva cinzenta.
Calo-me e deixo à tarde azul de outono, riscar a vida.



domingo, 9 de março de 2014

Uma gota de caos

Na noite caída entre folhas de papel
Romanticamente empoeirado...o caos!
Na rua de ilusões vis e clarões de desejos
Milimetricamente encoleirando pássaros

Mastigam as horas feito pétalas azuis
Na boca do dia nascem os sóis
Já a lua está tão pobre que nem se nota
Há uma estrela entre o olho e céu

Desordeiradamente  fácil é de ca(n)tar
A relva grudada no asfalto molhado
De lágrimas, de suor de fluido de isquiro
Nas madrugadas poetas vivem, vivem!