Agora quero escrever, agora
Para os que temem
Para as que sentem medo das ruas vazias
Pelos trôpegos da esquina
Por quem não está mais aqui
Agora, eu vou escrever
Pra que você sinta-se forte
Por tudo que vivemos e sentimos
Pela indecisão que machuca
Neste instante eu vou falar
Proclamo a todo e qualquer humano
Pergunto a toda e qualquer menina
Percorro cada lágrima caída
Exatamente nesse minuto, direi
Pra ti colombina sem nome
Palhaço sem maquiagem
Paquita preta sem palco
Partes de um todo doutrinado
Sem perda de tempo eu grito
Pastor de ovelhas desgarradas
Professora que lê poesia nas tardes
Promotor de vidas que são aprisionadas
Patife colecionador de almas
Sim, vou deduzir das horas o minuto profícuo
Perturbador de madrugadas do interior
Prefeito de cidadela que geme baixinho
Piranha que extorque o magnata
Posto de gasolina de beira de estrada
Coloco num segundo os olhos na parede
Perfuro minha carne com agulhas de costura
Preconizo a vida das mães sem filhos
Protejo os niños de cadela gorda
Priorizo as manhãs gélidas e agasalho o dia
Vou falar agora
Puta que pariu!
Por que?
Por onde...
Porra
Preciso ir.
quinta-feira, 4 de junho de 2020
terça-feira, 26 de maio de 2020
Trovão Menino
Visto o mesmo manto
Encaro as mesmas luzes
Sou o mesmo Santo
Dias de trovão e água turva
Cachoeira de queda mansa
Digo, não nego o pedido
Ainda que seja amanhã o desencontro, amigo
Meu corpo é lenda do teu folclore
Desacato toda a autoridade vã
Me alistei na tropa de quem anda comigo
Saio pelas ruas sem medo do que virá
Caio no Rio e rio da tua besteira
Saibas tu que nunca me encontrarás de bobeira
Ainda que o breve encontro me cale, desfiladeiro
Coço minha barba que se embranquece
Penso no céu estremecido e quente
São fogos e lágrimas que vem e(m) vão!
Minhas páginas de livros não escritos
Os amores que nunca tive ou terei
São acalantos nessa vida, breve
Ao meu Sul uma constelação...
Encaro as mesmas luzes
Sou o mesmo Santo
Dias de trovão e água turva
Cachoeira de queda mansa
Digo, não nego o pedido
Ainda que seja amanhã o desencontro, amigo
Meu corpo é lenda do teu folclore
Desacato toda a autoridade vã
Me alistei na tropa de quem anda comigo
Saio pelas ruas sem medo do que virá
Caio no Rio e rio da tua besteira
Saibas tu que nunca me encontrarás de bobeira
Ainda que o breve encontro me cale, desfiladeiro
Coço minha barba que se embranquece
Penso no céu estremecido e quente
São fogos e lágrimas que vem e(m) vão!
Minhas páginas de livros não escritos
Os amores que nunca tive ou terei
São acalantos nessa vida, breve
Ao meu Sul uma constelação...
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Devaneios de Outono na prisão
Escrever uma peça batendo na máquina
Redigir um editorial de moda com carvão
em um muro
Ditar um poema na beira do mar da Barra
Gritar uma música no túnel engarrafado
Deslizar o pincel nas paredes da sua sala
Encarar o papel branco e sorrir de desespero
Catar restos de alegorias de carnaval e montar um bloco
Desfilar na passarela do caos onde tudo vale
e nada é
Ter medo da noite do Rio e ainda assim extrapolar
Manter de vez um caderninho pra anotar as estrelas
com a ponta dos dedos
Fazer minha vida caber no teu ventre
e ver brotar
Redigir um editorial de moda com carvão
em um muro
Ditar um poema na beira do mar da Barra
Gritar uma música no túnel engarrafado
Deslizar o pincel nas paredes da sua sala
Encarar o papel branco e sorrir de desespero
Catar restos de alegorias de carnaval e montar um bloco
Desfilar na passarela do caos onde tudo vale
e nada é
Ter medo da noite do Rio e ainda assim extrapolar
Manter de vez um caderninho pra anotar as estrelas
com a ponta dos dedos
Fazer minha vida caber no teu ventre
e ver brotar
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020
Esqueci o que li hoje cedo ou Nunca brindar com fogo
Queria te escrever,
Falar do teu cheiro âmbar
Do teu toque macio
Eleger uma parte da tua harmonia
Ainda quero me elevar no teu céu
Emparedar-me em teu sorriso
Cultivar lírios no agreste
Morangos nos alagados
Subverter o tempo, deixa-lo decidir
Posso curvar-me sobre tuas ancas
Deleitar tua certeza num gemido oco
Desmantelar os teus ornamentos
Visto aquilo que me cabe, numeração universal
calço teus sapatos, corro na chuva
Deito numa nebulosa de junho e me acompanhas
Gosto de sentir o rio por entre as pedras, leite e mel
Por ocasião deixo-te um delírio fugaz...
Falar do teu cheiro âmbar
Do teu toque macio
Eleger uma parte da tua harmonia
Ainda quero me elevar no teu céu
Emparedar-me em teu sorriso
Cultivar lírios no agreste
Morangos nos alagados
Subverter o tempo, deixa-lo decidir
Posso curvar-me sobre tuas ancas
Deleitar tua certeza num gemido oco
Desmantelar os teus ornamentos
Visto aquilo que me cabe, numeração universal
calço teus sapatos, corro na chuva
Deito numa nebulosa de junho e me acompanhas
Gosto de sentir o rio por entre as pedras, leite e mel
Por ocasião deixo-te um delírio fugaz...
terça-feira, 31 de dezembro de 2019
1969
Gilberto Gil me fez chorar
Mandando abraços e lembrando-me do ano
Foi uma estrada espinhosa
Dias de prenuncio de despertar
Assumidamente cruel
Escancaradamente escarnecedor
A sua estadia foi demorada e sa(n)grada
Tive que adaptar minhas armas
Não podia “ir de garfo”
O destino, fazendo das suas
Subvertendo o tempo
Admirando as possibilidades
Jogando os dados...
As tardes levaram consigo a primavera
Inverno de torrentes e tormentas
Cálida noite de ondas desesperadoras
Bom marinheiro não se assombra
Busca nas sombras a luz no mar revolto a morada
Criaturas das savanas e selvas, cultivem o desejo!
Elaborem o gozo e deixem que escorra...
O mundo se abre em todos os poros nesta manhã;
Sou mensageiro das infinidades.
sábado, 12 de outubro de 2019
Aquilo que sua aura acusa
5:13
Estou alto
Muito
Doravante
Alunte
Adelante
Transeunte
Translúcido
Interestelar
Macrobiótico
Um passo a mais que o precipício
A alcunha dos deuses
O filho do lobo
A maquina de cortar dentes
Sossego
Sádico
Satírico
Gosmento
Inaugural
Final
E gêneses
O amanha de outrora
A cadeira de sua madrinha
O samba do meu pai
A poesia dos punhos de quem bateu e correu
Fuga
Sono
Abandono
Filhadaputagem
Final apoteótico
Melhor aí
Do que ontem
Melhor hoje que agora
Linha tênue
Bravura caatingueira
Suavidade de mulher
Força de mãe
Meu amanhã é hoje
Minha convulsão
Marota
Desde sempre
Caído aos pés da mesma cruz
Estou alto
Muito
Doravante
Alunte
Adelante
Transeunte
Translúcido
Interestelar
Macrobiótico
Um passo a mais que o precipício
A alcunha dos deuses
O filho do lobo
A maquina de cortar dentes
Sossego
Sádico
Satírico
Gosmento
Inaugural
Final
E gêneses
O amanha de outrora
A cadeira de sua madrinha
O samba do meu pai
A poesia dos punhos de quem bateu e correu
Fuga
Sono
Abandono
Filhadaputagem
Final apoteótico
Melhor aí
Do que ontem
Melhor hoje que agora
Linha tênue
Bravura caatingueira
Suavidade de mulher
Força de mãe
Meu amanhã é hoje
Minha convulsão
Marota
Desde sempre
Caído aos pés da mesma cruz
segunda-feira, 6 de maio de 2019
Epístola de um desgraçado
Estou num desespero mudo
Gritando oco nas paredes de uma caverna
Salivando por um prato de bondade e lucidez
Acarinhado nos espinhos silvestres
Nunca me encontrei como agora
Num calabouço denso
Uma mata atroz e fechada
Maloca de bocas de lobo
Avisto ao longe uma clareira
Mas não sei se quero atravessar
Minhas mãos fadigam o vento
Minha cabeça fluiu e não flui mais
Catástrofe lunar são essas tardes nuas
Cretinice dos bufões plutocratas
Ascensão de império moco
Quero fugir daquela pedreira
Estrada maldita que me aflige
Beirada de mundo desgraçado
Suplico por um momento de luz
Rogo-lhe óh desesperança!
Mil cairam
Dez Mil rastejarão
Gritando oco nas paredes de uma caverna
Salivando por um prato de bondade e lucidez
Acarinhado nos espinhos silvestres
Nunca me encontrei como agora
Num calabouço denso
Uma mata atroz e fechada
Maloca de bocas de lobo
Avisto ao longe uma clareira
Mas não sei se quero atravessar
Minhas mãos fadigam o vento
Minha cabeça fluiu e não flui mais
Catástrofe lunar são essas tardes nuas
Cretinice dos bufões plutocratas
Ascensão de império moco
Quero fugir daquela pedreira
Estrada maldita que me aflige
Beirada de mundo desgraçado
Suplico por um momento de luz
Rogo-lhe óh desesperança!
Mil cairam
Dez Mil rastejarão
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