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terça-feira, 8 de março de 2016

telegrama distante

aquele poema não foi escrito
aquela fabula morreu no bolso do carteiro

as palavras mentem ao traduzirem-se

e os mortos nunca saberão pronunciá-las 

Uma daquelas vidas (Poucas palavras)

querer estar em qualquer lugar
companhia de beira de pista
cachorra de peitos grandes

das ofensas gratuitas da vida
ser aquela mais infantil
idolatria de fúnebres imagens

começar uma catástrofe solar
soletrar o alfabeto do inferno
classificar bruxas e tolher suas asas

criança louca de meio dia
mulher que nasce todos os dias
não seria esse vento uma permissão?

saltam-lhe os botões de rosa
dos umbigos das tardes
criminalizam o odor das auroras

sal das águas, fileira cósmica do medo

Ps.: acrescentar pequenas doses de perversidade

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Devagar com a dor

Essas coisas amontoadas aqui
Todos esses objetos sobre a mesa
Tantas bobagens caídas assim...

O mundo anda como minha mesa.

Aquelas coisas que caem, ficam
Há também as que nunca deveriam estar aí

Preciso trabalhar para arrumar a mesa...o mundo.
Preciso de tempo para corrigir meus erros, provas...
Preciso de uma mesa nova, de uma casa, de vagas para estacionar...

Quem me dera que o mundo fosse a minha mesa.

Seria eu uma traça a devorar papiros.
E o inseticida demoraria a chegar.

sábado, 22 de agosto de 2015

Do lote das ofensas gratuitas

Gosto das cores do meu povo
Sou da altura das ambições dos meus
Prefiro a poesia da esquina de casa

Acredito nos deuses que dançam mais eu
Considero fundamental a forma das ruas
Manipulo os pensamentos comuns

Construo fábulas com os cachorros magros
Alimento o sonho dos macacos ladrões
Descarrego os caminhões de melancia 

Beijo os velhos na mesa de damas
Cumprimento as senhoras na porta da igreja
Canto a tarde que vai e faço melodia com o vento

Não me contento com o obvio, nem o iludo
Avalio o dia pelo número de sorrisos
Conto cada lágrima como um tijolo de alicerce

Mando a merda os escritores de gabinete
Malandreio o medo que tens
E falo sempre o que transborda do peito

Esqueça que me ouviu, desconsidere que me conheceu 
Lembre-se que nunca estive aqui, sempre acabo cedo
Morra por mim e não será justo

Aqui jaz a poesia do sub-tudo. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Plantando espinhos

A lei é clara e sem rodeios.

Bateu?
Apanhou.
Vacilou?
Vai ser cobrado.

Com um dedo, um dente, algumas unhas...
Lágrima que caiu e virou sangue na roupa.

O coitado do canalha mal podia esperar pelo desfecho...


terça-feira, 9 de junho de 2015

por tudo aquilo que se pode negar.

Sim!
É por muita coisa, é por um milhão de coisas.
Calma aí chapa...
São 10 anos de idéias e ideais jogados aos fungos?!

E não  será um gatinho em pele de cordeiro, acéfalo lobo.
Que irá barrar esse outono com ar primaveril...
Acreditamos no sol e nos girassóis, por isso, giramos a roda viva.

Fazemos das nossas mãos a transmutação do indelével,
                                                    [casa do fundamento.

Não aceitaremos mais a fala rota nem o bafo fúnebre dos velhacos.
Cuspiremos de volta seu mingau aguado de fevereiros falsos.
Serão cobrados ingressos para o espetáculo do circo macabro.

E os mortos se levantarão.
As chamas cobrirão seus lençóis.
E a cal que jogaremos sobre as ervas daninhas,

 ...virará água límpida e pura.