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sábado, 12 de outubro de 2019

Aquilo que sua aura acusa

5:13
Estou alto
Muito
Doravante
Alunte
Adelante
Transeunte
Translúcido
Interestelar
Macrobiótico
Um passo a mais que o precipício
A alcunha dos deuses
O filho do lobo
A maquina de cortar dentes

Sossego
Sádico
Satírico
Gosmento
Inaugural
Final
E gêneses
O amanha de outrora
A cadeira de sua madrinha
O samba do meu pai
A poesia dos punhos de quem bateu e correu

Fuga
Sono
Abandono
Filhadaputagem

Final apoteótico
Melhor aí
Do que ontem
Melhor hoje que agora
Linha tênue
Bravura caatingueira
Suavidade de mulher
Força de mãe
Meu amanhã é hoje
Minha convulsão
Marota
Desde sempre
Caído aos pés da mesma cruz   

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Epístola de um desgraçado

Estou num desespero mudo
Gritando oco nas paredes de uma caverna
Salivando por um prato de bondade e lucidez
Acarinhado nos espinhos silvestres

Nunca me encontrei como agora
Num calabouço denso
Uma mata atroz e fechada
Maloca de bocas de lobo

Avisto ao longe uma clareira
Mas não sei se quero atravessar
Minhas mãos fadigam o vento
Minha cabeça fluiu e não flui mais

Catástrofe lunar são essas tardes nuas
Cretinice dos bufões plutocratas
Ascensão de império moco

Quero fugir daquela pedreira
Estrada maldita que me aflige
Beirada de mundo desgraçado

Suplico por um momento de luz
Rogo-lhe óh desesperança!
Mil cairam
Dez Mil rastejarão

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Oração

Neste dia meu guerreiro, só preciso de tua mão
Como em todos os demais

Às noites que passaram terríveis
Aos ventos que marejaram manhãs
Por todos aqueles que contra mim rogaram

Peço a ti escudo e espada
Careço do teu afago forte
Temo pelas minhas vestes, pela minha fome
Suplico pelos meus amores

Teu manto de um verde-azulado, és meu cobertor
Tua armadura meu amigo, minha certeza na vitória
Tua coragem nobre cavaleiro, minha tenacidade diária

Por isso, não temo o que virá
Nem mesmo o que foi
Sou teu servo e companheiro
Estarei pronto para qualquer demanda
E regozijado de tua presença.

Sei que em teu cavalo, tenho caminho aberto
Não exitarei em galopar meu destino de lutador
Ficarei grato ao derramar meu sangue

Pela redenção das nossas mazelas ó senhor!




sábado, 17 de março de 2018

Viveremos canalha

ela não está morta
eles estão

seus corpos caminham podres
o dela virou semente na terra

suas mentes agonizam em desespero azul
a dela virou literatura pedagogia educação

cairão os demais os carniceiros deliciarão-se
altivez se verá no semblante dela

aqueles abutres que ali esperam são nossos
essas flores que aqui estão são suas

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Antes das cinzas


Apareceram os primeiros fios prateados
Na minha barba
Acostumado estava aos rubros
Emaranhados aos coriscos

Estive em manhãs de carnaval
Onde só se ouvia máquinas
De costura e vendaval

Apartei as matracas que sussurravam
Marchinhas
Galopei nas selvas azuis
Nunca fui nativo ou estrangeiro.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Tímido Embargo

poucas linhas
muita fumaça
breve embaraço
tácito alvoroço

vinhas de outro mar
vinhos deleitados

amanhã risonho
ontem atrozes
meninos ferozes


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

canção da tarde

a luz desse fim de tarde
de um Dezembro

me faz ter esperança
é um acalanto surdo
pra esse meu peito

mudo

agradeço ao rei
contemplo o rei
sou rei

e sigo sendo uma sandice
das sucursais do mundo
calibragem de eros

caíram à sua frente um batalhão
de Miseráveis
soluçará uma febre atônita

e eu passarei ileso
passo
tenho régua e compasso
indefeso

marco a gás as paredes
do grande
útero da

terra

e nasço

a cada

entardecer