Páginas

sábado, 17 de março de 2018

Viveremos canalha

ela não está morta
eles estão

seus corpos caminham podres
o dela virou semente na terra

suas mentes agonizam em desespero azul
a dela virou literatura pedagogia educação

cairão os demais os carniceiros deliciarão-se
altivez se verá no semblante dela

aqueles abutres que ali esperam são nossos
essas flores que aqui estão são suas

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Antes das cinzas


Apareceram os primeiros fios prateados
Na minha barba
Acostumado estava aos rubros
Emaranhados aos coriscos

Estive em manhãs de carnaval
Onde só se ouvia máquinas
De costura e vendaval

Apartei as matracas que sussurravam
Marchinhas
Galopei nas selvas azuis
Nunca fui nativo ou estrangeiro.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Tímido Embargo

poucas linhas
muita fumaça
breve embaraço
tácito alvoroço

vinhas de outro mar
vinhos deleitados

amanhã risonho
ontem atrozes
meninos ferozes


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

canção da tarde

a luz desse fim de tarde
de um Dezembro

me faz ter esperança
é um acalanto surdo
pra esse meu peito

mudo

agradeço ao rei
contemplo o rei
sou rei

e sigo sendo uma sandice
das sucursais do mundo
calibragem de eros

caíram à sua frente um batalhão
de Miseráveis
soluçará uma febre atônita

e eu passarei ileso
passo
tenho régua e compasso
indefeso

marco a gás as paredes
do grande
útero da

terra

e nasço

a cada

entardecer

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

gás do lamento

o fascismo
foi entrando pela fresta do concreto
pelos cantos das salas
nas brechas do tempo

e hoje
é como um vírus silenciosos e fatal
eu e loucos todos

todos errados, errantes
somos travessuras da bruxa
catequese do desespero


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Soprando um poema no ouvido

Estou leve
Como se pluma fosse
Gosto do sabor do vento

Estive antes solidificado
Aquela altura era um meteorito
Gostaria de conhecer a fé do acaso

Acabarei fluido e seco
Isqueirando algum cigarro por aí...
Ficarei com o dom feitiço do aroma.


sábado, 21 de outubro de 2017

Tenho o olhar sincero

E isso me salva, acalma meus predadores

Os embriaga.

Quem me guarda aparece sempre em minhas lágrimas
Tenho os olhos profundos, salobros
Tenho o olhar de nuvem, cato formas em desalinho
Fujo do meio da tempestade, basta verificar o entorno

Tenho sempre comigo miragens, as lanço ao acaso.